sexta-feira, 5 de abril de 2013

Motorista


André foi preso pela primeira vez e caiu em um presídio, ele não gostou da mudança já que tinha acostumado com a cadeia que ele ficou aguardando julgamento dele por carregar cocaína e ele ainda acha que só foi pego porque parou para contratar uma prostituta e deu o grande azar do cafetão dela ser da policia rodoviária e quando soube que a puta cheirou com o cliente a noite toda e o cliente dizendo que tinha que chegar rápido porque tava com medo da policia pegar ele. Foi logo correndo atrás para exigir dele uma parte. André nunca foi um grande negociador, acabou preso. Pensando bem ele sempre foi um péssimo negociador, não cede nunca e sempre se achou bem melhor que ele é.

No presídio ele não viu diferença, era sempre a mesma coisa, gente feia e tatuada, mas o que ele gostava menos era o cheiro. Tanto na cadeia quanto no presídio tudo tinha um cheiro de azedo. Ele sentia esse cheiro até no pátio, ele não sabia de onde vinha somente que azedo era.

No presídio não tinha colher para comer a comida de cheiro de azedo, não tinha chuveiro quente, as camas que tinha na cela dele não eram para ele. Como ele foi o ultimo a chegar ele ficava no canto perto da privada que ainda tava quebrada da última rebelião.

Ele não tinha mais nome, lá ele foi apelidado de motorista e toda a vez que ele escutava isso ele lembrava o motivo dele estar lá e sempre pensava: Puta de merda!

Nunca teve arrependimento do que fez. Para ele era somente uma carga para alegrar as festas dos playboys.

E também nunca recebia visitas de familiares, a namorada que ele tinha acabou com ele ao saber da puta para ela, ser namorada de traficante era melhor que ser a namorada corna do traficante. As visitas eram somente de uns pastores que queriam converter ele.

Para passar o tempo ele não fazia nada, só remoia o odeio por tudo e todos. Lá ele viu que trabalhar era uma dádiva e esta dádiva não era para ele que estava cada vez mais parecido com um cachorro raivoso no canto da cela.

Um dia para ter o que fazer ele arrumou uma briga que era com o cara certo. Certo que ele ia arrumar um inimigo para o resto da vida. Ele apanhou, apanhou do cara que ele mexeu, apanhou dos amigos do cara que ele mexeu, apanhou dos policiais que recebiam do cara que ele mexeu.

Na verdade ele queria morrer, não via aquilo como vida. E de tanto querer ele morreu oriundo de uma pneumonia que ninguém fez questão de tratar e a última coisa que fez foi pensar que o motivo de estar lá era daquela puta de merda.

E em seu enterro estava a sua puta de merda que nutria uma paixão por ele desde sua prisão e tentava mandar carta para ele, mas ele não recebia porque tinha um senhor perto de aposentar que ficava jogando paciência ao invés de separar as correspondências do pavilhão seis.

Vida de merda...

11 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Existem milhares iguais a ele por esses presídios a fora. O texto é um retrato da vida real. Eta vida de merda.
Abraço

รяª Nathalia disse...

Caralho! (desculpa o palavreado).
Vidinha de merda ein!

Dama de Cinzas disse...

Tantas e tantas vidas que parecem sem sentido, tanto para quem olha de fora, quanto para quem está vivendo. Você se espantaria com as coisas que passam pela minha mente... rsrs.

Beijocas

Inaie disse...

e a puta se apaixonou???

sei...

Neanderthal disse...

Mas as cadeias não assim. Você não tem vida, nem dignidade, nem banho quente, nem globo rural todo domingo de manhã!
Eu também ia querer morrer! E ainda seria melhor dos que saem cheios de ódio querendo retribuir todo o mal que sofreu às pessoas!

No mais, ser mulher de bandido não é uma desonra pra muita gente! Mas poucos suportam a dor e a vergonha da cortinude. Vá entender...

Neanderthal disse...

São*

Turismóloga disse...

Escandalosamente coerente com alguns dos nossos pensamentos de merda que temos no dia a dia.

Tento sempre peneirar, mas às vezes, sou vitima do cérebro aniquilador!

Beijos

Milene Lima disse...

Putz! Tão real isso tudo, parecia estar ali, vendo o sujeito amuado num canto, desejando uma dose de arsênico.

Bem triste. Bem bom.

Abraços!

Bah disse...

E a gente reclamando da nossa vida de merda auhauauaa

Kisu!

Maeve disse...

Poxaaaaaaaaaa!
Que texto sucessão!
Tou muito orgulhosa de você!

(A mamãe falado do filhinho? Hahaha)

Brincadeira, gostei muito muito de um bocado, viu?
:*

Bruna disse...

Que vidinha de merda!