Imagina se soubéssemos o dia de nossa morte, este dia
estaria como uma marca de nascença no antebraço para que sempre a gente olharia
para ele.
Será que sentaríamos no sofá jogando candy crush esperando o
dia chegar? Ou faríamos tudo em uma só vida porque faltam 35875 dias para
morte.
Todos nós seriamos melhores? Ajudaríamos o próximo com medo
do fim ou seriamos mais individualistas que somos hoje? E ainda tem as
situações:
Imagina um pai vendo a data menor do antebraço do filho que
a dele próprio? Ou o filho ver diariamente a data dos pais. Ou um casal
comparando as datas? Seria algo assim: "Ela é gostosa, mas vai durar 10
anos a mais que eu." Ou duvidas mórbidas como a data da sogra poderiam
surgir.
Não seriamos pegos de surpresa (podia ter até um app para
avisar a gente) e com isto as mulheres poderiam estar sempre de cabelo pronto nos velórios
e durante o enterro todos em silencio saberia quem seria o próximo.
Penso que o mercado poderia capitalizar isso: planos de saúde,
planos funerários, seguro de vida. Eles não levariam em consideração a data de
nascimento, mas a data de morte. A data de nascimento não ia mais valer de
nada, você não ia preencher a data de nascimento na entrevista de emprego, mas
sim a data de falecimento.
Acho que iríamos ver sindicatos mostrando que as empresas não
contratam gente com menos de 1 ano para a morte. E elas retrucando porque o
investimento em treinamento de mão de obra não contava.
Mórbido isso né? Ainda bem que não é assim.


